Paciente pergunta o preço no WhatsApp. Passo o valor ou não?
Resposta curta
Quando o paciente pergunta o preço no WhatsApp, a clínica pode responder. O que os conselhos restringem é a publicidade com preço, não a resposta a quem perguntou.
- Publicidade é uma coisa, resposta individual é outra. Anúncio, post e campanha seguem as regras do conselho. A conversa com um paciente que pediu o valor é atendimento.
- Na odontologia, a regra é mais rígida. O Código de Ética Odontológica considera infração a publicidade com preço, serviço gratuito e modalidade de pagamento.
- Na medicina, informar valor de consulta é permitido. A Resolução CFM 2.336/2023 autoriza divulgar valores de consulta e formas de pagamento.
- Não esconda, conduza. Diga o que dá para dizer e mostre por que a avaliação define o valor final.
- Valide com o conselho e o jurídico. Cada clínica tem um responsável técnico que responde pela comunicação.
O paciente pergunta o preço no WhatsApp, e a recepção trava. Se passar o valor, o paciente some. Se não passar, ele acha que a clínica está escondendo e vai perguntar em outro lugar. A boa notícia é que existe um caminho do meio, e ele respeita as regras dos conselhos profissionais. Este guia explica o que a norma diz, a diferença entre anunciar preço e responder a uma pergunta, e mostra exemplos de resposta para clínica médica, odontológica e de estética.
Este conteúdo é informativo e não substitui a orientação do seu conselho regional nem de uma assessoria jurídica. A validação final da comunicação da clínica é do responsável técnico.
Glossário rápido
- Publicidade. Comunicação ao público sobre a atividade profissional, como anúncio, post, site, panfleto ou campanha de WhatsApp.
- Resposta individual. A conversa com um paciente específico que perguntou algo à clínica.
- Avaliação. A consulta em que o profissional examina o paciente e define o tratamento. Em muitos casos, é ela que define o valor.
- Tabela de preços. Os valores que a clínica decidiu informar, como consulta, avaliação ou procedimentos padronizados.
- Responsável técnico. O profissional inscrito no conselho que responde pela clínica.
O que os conselhos dizem sobre divulgar preço?
Depende da profissão de quem responde pela clínica.
Odontologia. O Código de Ética Odontológica, aprovado pela Resolução CFO 118/2012, diz no art. 44, inciso I, que constitui infração ética fazer publicidade e propaganda enganosa ou abusiva, "inclusive com expressões ou imagens de antes e depois, com preços, serviços gratuitos, modalidades de pagamento, ou outras formas que impliquem comercialização da Odontologia". O mesmo código também veda divulgar ou oferecer consultas e diagnósticos gratuitos ou sem compromisso. A Resolução CFO 196/2019 tratou de imagens e reforçou a vedação ao sensacionalismo e à mercantilização.
Medicina. A Resolução CFM 2.336/2023 mudou a regra da publicidade médica. O art. 9º permite ao médico informar valores de consultas, meios e formas de pagamento, e também anunciar abatimentos e descontos em campanhas promocionais, desde que as promoções não sejam vinculadas a vendas casadas, premiações e outras práticas que desvirtuem a medicina.
Estética. Clínica de estética reúne profissionais de áreas diferentes. Procedimento feito por médico segue o CFM. Harmonização orofacial feita por dentista segue o CFO. Biomédicos, fisioterapeutas e esteticistas seguem os próprios conselhos. A regra de preço muda conforme quem executa o procedimento.
Responder a uma pergunta é fazer publicidade?
Em regra, não. As normas tratam de comunicação ao público. Quando um paciente escreve "quanto custa a limpeza?", a resposta é parte do atendimento a uma pessoa que pediu uma informação. O Código de Defesa do Consumidor, inclusive, garante ao consumidor informação clara sobre o preço do serviço (art. 6º, III) e o orçamento prévio discriminado antes do serviço (art. 40).
A linha fica mais fina em duas situações.
- Quando a resposta vira campanha. Mandar a mesma "tabela promocional" para toda a base pelo WhatsApp é publicidade, mesmo que chegue um a um.
- Quando a resposta vem com apelo comercial. "Só hoje, clareamento pela metade do preço" é propaganda, não informação.
Por isso vale combinar com o responsável técnico uma regra clara. Quais valores a recepção pode informar, como informar e o que sempre depende da avaliação.
Como responder sem esconder e sem perder o paciente?
O paciente que pergunta preço quer duas coisas. Saber se cabe no bolso e sentir que a clínica é honesta. Uma resposta que só diz "venha fazer uma avaliação" falha nas duas.
Um roteiro simples ajuda.
- Reconheça a pergunta. "Claro, eu te explico."
- Diga o que é fixo. Valor da consulta ou da avaliação, se a clínica informa.
- Explique o que varia e por quê. "O valor do tratamento depende do que o profissional encontrar na avaliação."
- Ofereça o próximo passo com horário concreto. "Tenho horário quinta às 9h30 ou às 14h."
Clínica odontológica
Paciente. "Quanto custa um implante?"
Recepção. "Oi, Paulo. O valor do implante depende do exame e do planejamento, porque cada caso é diferente. Na avaliação, o Dr. Rafael examina, explica as opções e você sai com o orçamento detalhado. Tenho horário na quinta às 9h30. Quer que eu reserve?"
Clínica médica
Paciente. "Qual o valor da consulta com o dermatologista?"
Recepção. "Oi, Sandra. A consulta com a Dra. Luísa custa [valor da tabela da clínica], e aceitamos cartão e Pix. Se durante a consulta ela indicar algum procedimento, o valor é explicado antes de fazer. Quer ver os horários desta semana?"
Clínica de estética
Paciente. "Quanto é o pacote de depilação a laser?"
Recepção. "Oi, Bia. O número de sessões muda de pessoa para pessoa, então o valor final sai na avaliação, depois que a profissional olha a área e o tipo de pele. Na avaliação você recebe o orçamento por escrito. Tenho sábado às 10h. Pode ser?"
Nomes e horários são fictícios. Nos três casos a clínica não fugiu da pergunta. Ela disse o que podia dizer, explicou o que depende do exame e ofereceu um horário real.
E a tal avaliação gratuita?
Cuidado. Na odontologia, o Código de Ética veda divulgar ou oferecer consultas e diagnósticos gratuitos ou sem compromisso. Anunciar "avaliação grátis" em post ou campanha pode virar processo ético. Na medicina e nas outras profissões, a regra é diferente, e a clínica precisa conferir com o próprio conselho.
Mesmo onde é permitido, "grátis" costuma atrair quem só quer saber o preço. Uma avaliação com valor claro, ou com o valor abatido do tratamento, conforme a regra da clínica, tende a trazer quem está mais decidido.
Erros comuns
- Responder "só na avaliação" e nada mais. O paciente sente que a clínica esconde o valor.
- Mandar tabela de preços em massa para a base. Isso é campanha, e na odontologia esbarra no Código de Ética.
- Inventar um valor "aproximado" para não perder o paciente e depois cobrar outro.
- Prometer resultado junto com o preço, como "com 3 sessões você resolve".
- Oferecer desconto na hora, sem regra da clínica, para fechar a conversa.
- Deixar a pergunta de preço sem resposta até o dia seguinte.
Checklist para a regra de preço da clínica
- Lista do que a recepção pode informar, aprovada pelo responsável técnico.
- Texto padrão para o que depende da avaliação.
- Formas de pagamento que podem ser citadas, conforme o conselho.
- Regra clara sobre avaliação com ou sem custo.
- Nada de campanha com preço sem validação.
- Quem responde quando o paciente pede desconto ou valor fora da tabela.
Como a LiGO faz
Na LiGO, a IA de atendimento, segue a regra de preço que a clínica cadastrar. Se a clínica informa o valor da consulta, ela informa. Se o valor depende da avaliação, ela explica isso e oferece os horários livres da agenda conectada. Pedido de preço fora da tabela, negociação e desconto vão para a equipe, na mesma conversa, com o histórico inteiro.
O que a LiGO não faz. A IA não inventa valor, não negocia desconto e não promete resultado de tratamento. Ela também não substitui a orientação do conselho, e a regra de comunicação da clínica continua sendo decisão do responsável técnico. Veja como ela atende em IA de atendimento para clínicas.
E se o paciente pedir o valor e sumir? Aí entra o follow-up. Veja o que fazer em paciente sumiu depois do orçamento.
Perguntas frequentes
A clínica pode informar o preço pelo WhatsApp?
Pode responder a um paciente que perguntou, porque isso é atendimento individual. O que os conselhos restringem é a publicidade com preço. Na odontologia a restrição é maior, e vale combinar com o responsável técnico o que a recepção pode informar.
Dentista pode divulgar preço no Instagram?
O Código de Ética Odontológica considera infração a publicidade com preços, serviços gratuitos e modalidades de pagamento (Resolução CFO 118/2012, art. 44, I). Por isso, post e anúncio com preço não são recomendados. Confirme sempre com o seu CRO.
Médico pode divulgar o valor da consulta?
Sim. A Resolução CFM 2.336/2023, art. 9º, permite informar valores de consultas, meios e formas de pagamento, e anunciar descontos em campanhas, sem vínculo com venda casada ou premiação.
Posso oferecer avaliação gratuita?
Na odontologia, o Código de Ética veda divulgar ou oferecer consultas e diagnósticos gratuitos ou sem compromisso. Em outras profissões a regra muda, então confirme com o conselho de quem faz o atendimento.
A IA pode passar o preço para o paciente?
Pode, se a clínica cadastrar essa regra. Na LiGO, a IA informa só o que a clínica definiu e passa para a equipe qualquer pedido de valor fora da tabela ou de desconto.
Fontes
Consultadas em 27 de setembro de 2026.
- Conselho Federal de Odontologia, Código de Ética Odontológica, Resolução CFO 118/2012, art. 44, I, e vedação a consultas e diagnósticos gratuitos ou sem compromisso, com redação dada pela Resolução CFO 271/2025 conforme a compilação da LegisWeb.
- Conselho Federal de Odontologia, Redes sociais na Odontologia e a Resolução CFO 196/2019.
- Conselho Federal de Medicina, Resolução CFM 2.336/2023, art. 9º, VI e VIII.
- Lei nº 8.078/1990 (Código de Defesa do Consumidor), art. 6º, III, e art. 40.